Brazil

Resilient
Beijing’s Media Influence Efforts
Notable
35 85
Local Resilience and Response
High
46 85
Scores are based on a scale of 0 (least influence) to 85 (most influence)
brazil flags waiving in the street

Principais conclusões

  • Aumento de influência: A influência midiática de Pequim no Brasil é significativa e crescente. Entre 2019 e 2021, os meios de comunicação estatais chineses e atores diplomáticos participaram ativamente em diplomacia pública e expandiram sua presença nas redes sociais. Os meios de comunicação estatais chineses também assinaram ou renovaram acordos de cooperação com meios de comunicação brasileiros, tanto privados quanto públicos.
  • Audiência e impacto limitados: Especialistas entrevistados para este relatório observaram que havia uma audiência restrita para o conteúdo dos meios de comunicação estatais chineses no Brasil. Pesquisas de opinião pública identificaram ceticismo generalizado em relação às posições de Pequim em questões como a eficácia das vacinas chinesas, um amplo sentimento anti-China, às vezes alimentado por líderes brasileiros para fins políticos, e um baixo nível de conhecimento geral sobre a China (ver Impacto e Opinião Pública).
  • Ênfase em propaganda nas relações bilaterais, diplomacia de vacinas: Os meios de comunicação estatais chineses e diplomatas no Brasil tornaram-se mais proativos em responder a comentários às vezes xenofóbicos de líderes locais, além de refutar o que consideravam declarações "errôneas" sobre tópicos sensíveis, como a independência de Taiwan ou a eficácia das vacinas chinesas. Mensagens positivas sobre a relação econômica destacaram a importância da China para o desenvolvimento futuro do Brasil, incluindo a implementação do serviço de telecomunicações 5G. Em geral, os atores chineses buscaram apresentar a China como um parceiro generoso e confiável para o crescimento econômico e a cooperação multilateral (ver Propaganda).
  • Forte presença da mídia estatal por meio de parcerias locais: China Radio International (CRI), China Central Television (CCTV), China News Service (CNS) e a agência de notícias oficial Xinhua têm filiais regionais no Brasil. Uma editora pertencente ao Partido Comunista Chinês (PCC) trabalha com parceiros locais para publicar a revista China Hoje no Brasil, e programas da televisão estatal chinesa estão disponíveis para o público brasileiro por meio de acordos de compartilhamento de conteúdo e coprodução com grandes emissoras locais, incluindo a mídia pública. O China Daily pagou para publicar conteúdo publicitário nos principais jornais do país: Folha de São Paulo, O Globo e Correio Braziliense (ver Propaganda).
  • Comunicações ativas da Embaixada: Diplomatas chineses foram regularmente entrevistados por veículos de comunicação locais - impressos, de rádio, televisão e online - durante o período analisado, embora o uso de artigos assinados para promover mensagens diplomáticas temporariamente tenha diminuído sob a liderança de um novo Embaixador (2018–22). Tanto as contas da Embaixada quanto as contas pessoais do Embaixador tiveram grande envolvimento com o público local no Twitter e no Facebook. O Embaixador promoveu narrativas falsas ou enganosas sobre direitos humanos na China. Ele também usou sua plataforma para opinar sobre a atualidade local, com alguns de seus comentários tendo ampla circulação (ver Propaganda).
  • Viagens de imprensa subsidiadas e cooperação jornalística: Representantes de veículos de comunicação brasileiros participaram de fóruns regionais de cooperação midiática organizados pela mídia estatal chinesa, que buscaram centralizar a produção de notícias sobre questões relacionadas à China. Jornalistas que participaram de curtas viagens de imprensa subsidiadas à China relataram ter sido instruídos a escrever histórias positivas após o retorno (ver Disseminação das normas da mídia, táticas ou modelos de governança do Partido Comunista Chinês).
  • Sem campanhas de desinformação: Não há evidências de campanhas de desinformação originadas na China que tenham utilizado comportamento coordenado ou inautêntico para visar especificamente consumidores de notícias no Brasil. No entanto, tanto os meios de comunicação estatais chineses quanto os atores diplomáticos expuseram o público brasileiro a narrativas enganosas que Pequim estava disseminando internacionalmente (ver Campanhas de desinformação).
  • Forte influência na mídia da diáspora: A população chinesa na diáspora no Brasil é grande, com cerca de 300 mil pessoas, e concentrada em áreas urbanas. Historicamente, ela coexiste com uma grande comunidade taiwanesa. Diversos veículos de comunicação e plataformas de notícias online, incluindo o maior jornal em língua chinesa na América Latina, atendem aos leitores chineses. Enquanto alguns veículos apoiam Taiwan, publicações associadas à China e ao PCC parecem agora dominar a mídia em língua chinesa no Brasil, embora a maioria pareça focada em fornecer informações práticas e locais para o público de língua chinesa, em vez de notícias geopolíticas (ver Mídia da diáspora chinesa).
  • Setor de mídia forte e sociedade civil ativa, crescimento de especialização independente: O Brasil possui limites rígidos para a propriedade estrangeira nos setores de mídia e telecomunicações. O país também tem uma tradição de jornalismo investigativo, um ecossistema de mídia diversificado e um setor de sociedade civil ativo, todos servindo como base para a resiliência diante de influência da mídia estrangeira. O Brasil é um dos poucos países da América Latina que possui um correspondente baseado na China, e a especialização independente sobre a China entre jornalistas e acadêmicos brasileiros está em crescimento (ver Resiliência local e resposta).
  • Lacunas e vulnerabilidades: O setor de mídia é altamente concentrado e politizado. As regulamentações que regem a transparência na propriedade de mídia, na propriedade partidária e na propriedade cruzada são fracas. A violência contra jornalistas aumentou na última década, e a hostilidade do governo em relação à imprensa durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro prejudicou a confiança do público no jornalismo e contribuiu para a disseminação de desinformação. Alguns comentaristas e líderes políticos, incluindo o próprio Bolsonaro, aproveitaram a retórica sobre a ameaça representada pelo Partido Comunista Chinês, bem como o sentimento anti-China e anti-chinês mais amplo exacerbado pela pandemia de COVID-19, em benefício próprio, tornando avaliações precisas de risco e respostas democráticas construtivas mais difíceis (ver Resiliência local e resposta).

Contexto

O Brasil é uma democracia que realiza eleições competitivas, e a arena política, embora polarizada, é caracterizada por um vigoroso debate público. É classificado como “Livre” no Freedom in the World 2023, o estudo anual da Freedom House sobre direitos políticos e liberdades civis, e “Parcialmente Livre” no Freedom on the Net 2023, o estudo anual da Freedom House sobre liberdade na internet. A constituição garante a liberdade de expressão e o ambiente midiático do país é vibrante. No entanto, jornalistas independentes e ativistas da sociedade civil correm o risco de assédio e ataques violentos, a violência política é alta, e o governo tem enfrentado dificuldades para lidar com o crime e a violência desproporcional contra minorias, além da exclusão econômica. Fontes de notícias online, incluindo redes sociais, tornaram-se cada vez mais proeminentes, acessadas por 83% da população, segundo dados de 2021; no entanto, muitas pessoas (61%) ainda assistem ao noticiário televisivo, enquanto o número de pessoas que utilizam a mídia impressa como fonte caiu para 12% até 2021. No início de 2023, a plataforma de redes sociais mais popular de longe era o WhatsApp, seguida pelo YouTube, Instagram e Facebook.

Como a maior economia da América Latina e com uma população de mais de 214 milhões de pessoas, o Brasil tem sido um parceiro crucial para a China. Os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 1974 e elevaram as relações para uma "parceria estratégica abrangente" em 2012. Os laços do Brasil com a China são excepcionalmente estreitos no contexto latino-americano como membro do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), um fórum para discutir assuntos de interesse político, de segurança, econômico e cultural que evoluiu para uma plataforma para que essas nações promovam suas próprias ideias de governança global.

As relações econômicas e o comércio interdependente são componentes essenciais do relacionamento bilateral. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, com o comércio total ultrapassando US$ 100 bilhões em 2020. Em relação a outros países, o Brasil está na rara posição de ter um superávit comercial com a China, exportando US$ 63,3 bilhões para a China em 2019 - majoritariamente soja, carne, minério de ferro e petróleo bruto - enquanto importava apenas US$ 36 bilhões, sendo equipamentos de telecomunicações a principal importação. Empresas chinesas também são uma fonte crescente de investimento no Brasil. Dados disponíveis indicam mais de US$ 65 bilhões de investimento de 2005 a 2021, incluindo US$ 8,9 bilhões do início de 2019 até o final de 2021.

A cooperação histórica entre Brasil e China foi interrompida após a posse do presidente Jair Bolsonaro em janeiro de 2019, embora o comércio entre os dois países tenha permanecido forte. Bolsonaro e sua equipe de política externa adotaram uma agenda internacional fortemente pró-Estados Unidos, frequentemente criticando a China. A chegada da COVID-19 em 2020 viu a administração Bolsonaro mudar sua abordagem em relação à China, continuando a antagonizar em alguns momentos, ao mesmo tempo em que suavizava sua retórica na tentativa de atrair a assistência chinesa durante a pandemia. Domesticamente, alguns setores foram críticos à parceria com a China, especialmente o setor manufatureiro brasileiro, que enfrenta forte concorrência de produtos chineses e não possui acesso recíproco ao mercado chinês, assim como eleitores nacionalistas-populistas que apoiam Bolsonaro. Por outro lado, exportadores agrícolas preferem uma relação sólida com Pequim, pois a China é um importante mercado para seus produtos.

Essa dinâmica confrontacional marca uma ruptura significativa em relação à trajetória histórica das relações Brasil-China, que tendiam para relações econômicas e políticas mais profundas. Apesar da cooperação federal diminuir sob Bolsonaro, a cooperação continuou a se aprofundar no nível subnacional. A China tem um interesse de longo prazo em uma relação diplomática próxima com o Brasil, a qual é importante tanto para sua estratégia na América Latina, quanto para maximizar sua liderança global. O Brasil também tem um interesse estratégico de longo prazo em manter uma parceria de trabalho com a China. Em outubro de 2022, Luís Inácio Lula da Silva (Lula) foi reeleito presidente para um mandato de quatro anos, derrotando Bolsonaro e sinalizando uma provável volta a relações mais amigáveis com a China. Durante os dois primeiros mandatos de Lula como presidente, de 2003 a 2011, sua administração estabeleceu uma política em prol de laços próximos e amigáveis com a China.

O Brasil possui uma comunidade da diáspora chinesa relativamente grande, com raízes históricas que remontam a 1812. Imigrantes chineses do território de Macau, ex-colônia portuguesa, viajaram para o Brasil no século XIX, e a imigração tanto da China continental, quanto de Taiwan cresceu significativamente ao longo do século XX. Dados do Ministério do Comércio da China de 2020 estimam a população dessa comunidade no Brasil em cerca de 302 mil pessoas. Outro relatório descreve a diáspora chinesa como principalmente envolvida no comércio e concentrada nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Um relatório do Conselho de Assuntos da Comunidade no Exterior de Taiwan (OCAC) estimou que havia cerca de 70 mil taiwaneses vivendo no Brasil em 2012. Embora não mantenha relações diplomáticas formais com o Brasil, Taiwan mantém dois escritórios econômicos e culturais ativos em Brasília e São Paulo.

Esforços de Influência Midiática de Pequim

Propaganda e promoção de narrativas favoráveis

Narrativas-chave

Propaganda e narrativas do governo chinês visam a audiência brasileira por meio de vários canais, com o objetivo de reforçar a dependência econômica do Brasil em relação à China. Em alguns momentos, essas narrativas também desencorajam, direta ou indiretamente, uma retórica anti-China ou laços mais estreitos com os Estados Unidos.

O governo chinês frequentemente apresenta a China como um parceiro confiável e generoso para o crescimento econômico brasileiro, destacando os fortes laços comerciais e de cooperação entre os dois países como um fator crucial para definir o futuro do Brasil. Por exemplo, a mídia estatal chinesa, como o People's Daily e a Xinhua, enfatizaram que a China permaneceu como o principal parceiro comercial do Brasil e primeiro destino de exportações por 10 anos consecutivos, tornando-se uma das principais fontes de investimento estrangeiro no país. A Embaixada frequentemente publica textos de opinião e artigos na mídia estatal chinesa e em veículos locais, além de conduzir entrevistas com veículos locais e briefings online para promover a visão de Xi Jinping de uma "comunidade de futuro compartilhado" entre China e Brasil, destacando a natureza "afinada e conectada" do relacionamento entre as duas nações. Essas comunicações enfatizam que o relacionamento estratégico China-Brasil beneficiará sem dúvida ambas as nações por meio do aprofundamento de laços amigáveis e cooperativos.

A mídia estatal chinesa aumentou estrategicamente sua presença no Brasil usando a diplomacia de vacinas para fortalecer os laços bilaterais durante o surto de COVID-19 no início de 2020. Em inúmeros artigos e entrevistas, a mídia chinesa e diplomatas chineses enfatizaram repetidamente o papel da China como o primeiro país a colaborar com o Brasil no desenvolvimento de vacinas e fornecer vacinas ao Brasil, ajudando o país no combate à COVID-19 e contribuindo significativamente para o combate à pandemia. A mídia estatal chinesa, incluindo o People's Daily, a Xinhua e o Global Times, destacaram a gratidão das autoridades brasileiras pela ajuda médica, vacinas fabricadas na China e materiais doados para esforços de prevenção e controle da pandemia. Como parte desse esforço, diplomatas chineses lançaram uma campanha de propaganda por meio de TV, rádio e artigos de opinião para enquadrar positivamente as medidas anti-pandemia da China e a cooperação com parceiros internacionais, enquanto as comunicações da Embaixada rebatiam críticos que culpavam a China pela pandemia como um "vírus político".

A mídia estatal chinesa e diplomatas têm pressionado ativamente o Brasil a adotar a tecnologia 5G produzida pela Huawei, uma empresa sediada na China com fortes vínculos com o Partido Comunista Chinês e um histórico na construção de sistemas de censura e vigilância na China e no exterior. Eles pedem uma avaliação justa e defendem a empresa contra críticas e preocupações dos Estados Unidos sobre segurança nacional. Em resposta ao que veem como "difamação e calúnia contra a China" e tentativas dos Estados Unidos de minar a cooperação Brasil-China, a mídia estatal chinesa e diplomatas publicaram artigos e postagens em redes sociais durante o período analisado, defendendo as medidas de segurança da Huawei e desconsiderando as críticas à tecnologia 5G da Huawei como mentiras. Também houve tentativas de promover um sentimento mais amplo antiamericano, descrevendo os políticos dos EUA como dispostos a empregar táticas enganosas para disseminar mentiras políticas e fabricar uma suposta ameaça da China para atacar a segurança da tecnologia 5G da China e manter a hegemonia tecnológica dos EUA.

Um exemplo típico da narrativa acima usada pelo governo chinês apareceu nas declarações de um porta-voz em novembro de 2020, onde eles refutaram "observações errôneas" feitas por um deputado federal brasileiro sobre a China.

“A China é o maior parceiro comercial do Brasil e uma das maiores fontes de superávit comercial e investimento para o Brasil. É crucial para os dois países manterem e desenvolverem a cooperação China-Brasil e as relações... A China tem apoiado ativamente o Brasil na luta contra a pandemia, fornecendo ajuda humanitária de primeira mão e compartilhando experiências... Os Estados Unidos têm um histórico ruim em questões de segurança de dados, interferem na construção do 5G de outros países e bloqueiam obstinadamente a Huawei... Instamos o Brasil a considerar os benefícios da cooperação com a China e a evitar seguir políticos extremistas dos EUA, parando de espalhar rumores que prejudicam a amizade China-Brasil. Não fazer isso terá consequências.”

Principais vias de disseminação de conteúdo

O governo chinês buscou nos últimos anos expandir o alcance global de meios de comunicação estatais, mas as condições em muitos países latino-americanos apresentam uma situação diferente em comparação com outras regiões. Grandes conglomerados de mídia comerciais predominam na região, controlando a maior parte do público e dos fundos de publicidade locais, evitando a entrada de novos concorrentes. Cientes dessas dificuldades, alguns veículos da mídia estatal chinesa, como a China Global Television Network (CGTN), recusaram-se a abrir um novo canal em português no Brasil, embora sua programação em inglês esteja disponível na TV a cabo e por satélite. A China Central Television (CCTV) inaugurou sua sede na América Latina em São Paulo em 2010, com jornalistas baseados na cidade cobrindo principalmente notícias da região para audiências chinesas. A Xinhua, o People's Daily e a China Radio International (CRI) têm edições em português, e a CRI tem um escritório local, mas a programação parece estar disponível apenas online ou via rádio de ondas curtas.

Em vez disso, a mídia estatal chinesa tem assinado grandes acordos para coprodução e compartilhamento de conteúdo e tecnologias, enquanto os representantes diplomáticos buscam alcançar o público por meio de contas em redes sociais e várias aparições nos principais meios de comunicação locais. Mais especificamente, as seguintes são as principais formas pelas quais entidades do estado chinês têm tentado — e, até certo ponto, têm obtido sucesso — em alcançar o público local com seu conteúdo:

  • Presença ativa em embaixadas e redes sociais: A partir de 2019 e continuando ao longo da pandemia de COVID-19, a China criou 25 novas contas no Twitter para Embaixadas, Embaixadores, Cônsules e Consulados chineses em países de língua espanhola e portuguesa. Essa tendência chegou ao Brasil, onde durante seus três anos no cargo de 2018 a 2022, o Embaixador chinês Yang Wanming estabeleceu uma presença visível e crescente no Twitter. Em março de 2022, a conta pessoal de Yang (@WanmingYang) e a conta da Embaixada chinesa (@EmbaixadaChina) haviam cada uma conquistado mais de 80 mil seguidores. Yang frequentemente compartilhava mensagens em português, algumas das quais se tornaram virais — sua mensagem de despedida recebeu mais de 300 retweets e mais de 4.600 curtidas. Em alguns casos, ele também postava respostas provocativas a comentários feitos por membros da família Bolsonaro, atraindo a atenção do público. Yang também foi uma voz recorrente em artigos de opinião na mídia tradicional. De 2019 a 2021, seus artigos de opinião apareceram pelo menos 25 vezes em importantes publicações como os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Estado de Minas, e a revista semanal Veja, e em entrevistas com jornais como Valor Econômico e O Globo, além de rádio e televisão. Um discurso público de 2021 intitulado "O papel dos partidos políticos na modernização da governança", realizado na Universidade Fundação Getúlio Vargas, foi posteriormente publicado na Veja. No discurso, Yang respondeu às críticas ao modelo de governo chinês feitas pelo então presidente brasileiro Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e comentou sobre eventos políticos locais.
  • Parcerias e compartilhamento de conteúdo com emissoras de televisão convencionais: Nos últimos anos, o grupo de mídia estatal chinês China Media Group (CMG), que inclui CGTN, CRI e outras veículos, estabeleceu ou expandiu parcerias com diversos provedores de conteúdo televisivo no Brasil. Esses provedores incluem a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), financiada pelo poder público, embora as parcerias mais significativas sejam aquelas com os grupos de mídia privados, como o Grupo Globo e Grupo Bandeirantes de Comunicação.

A Globo é o maior conglomerado de mídia do Brasil e uma das maiores empresas de mídia do mundo. Possui várias emissoras de televisão aberta, além de dezenas de canais a cabo e pay-per-view, sites de notícias, importantes jornais como O Globo e Extra, 14 revistas e pelo menos cinco estações de rádio com afiliadas em todo o país. Segundo o Monitor de Propriedade de Mídia Brasil (MOM-Brasil), ela alcança uma audiência de pelo menos 100 milhões de pessoas. Em novembro de 2019, o presidente da CMG, Shen Haixiong, visitou o Brasil, se encontrou com o dono e presidente da Globo, Roberto Irineu Marinho, e assinou um memorando de entendimento entre os dois gigantes da mídia. Poucos detalhes do acordo foram divulgados, mas a cooperação na produção de telenovelas, trocas de conteúdo e uso da tecnologia 5G foram citados pelos dois executivos em matérias jornalísticas. Um exemplo de como tais acordos podem influenciar o conteúdo que chega ao público brasileiro é o fato de a Globo ter exibido um documentário da CGTN em março de 2020, "24 Horas em Wuhan", sobre o lockdown de COVID-19 na cidade chinesa de Wuhan.

Também em 2019, a CMG conseguiu um acordo significativo com a Bandeirantes, o terceiro maior conglomerado de mídia brasileiro. Liderada pela família Saad, a Bandeirantes é composta por dois canais de televisão aberta, seis canais de televisão a cabo, um canal internacional "Band International" voltado para brasileiros expatriados, três redes nacionais de rádio e uma rede de rádio local, além de um jornal diário, empresas que colocam publicidade “fora de casa” (OOH) - como no transporte público - agências de marketing de imagem e uma operadora de TV a cabo.

A colaboração entre a CMG e a Bandeirantes é extensa, e conta a inclusão da CMG como colaboradora editorial em alguns programas de notícias do canal. O primeiro resultado dessa colaboração foi a exibição da série semanal "Citações Clássicas de Xi Jinping" da CMG em 2019. Pouco depois, o canal de notícias BandNews TV da Bandeirantes lançou um novo quadro de notícias noturnas chamado de "Mundo China". O programa é criado, produzido e apresentado por repórteres brasileiros da BandNews TV e jornalistas chineses de língua portuguesa da CCTV. Por exemplo, nos dias de semana, os apresentadores brasileiros apresentam as notícias, mas nos fins de semana, conta com apresentadores chineses. As imagens são criadas no escritório da CCTV em São Paulo, e os artigos são geralmente traduções do noticiário da CCTV e, em alguns casos, trechos de matérias da CGTN.

O conteúdo do programa varia, incluindo itens culturais, notícias leves, economia e tecnologia, mas às vezes também se inclina para a propaganda, como em uma reportagem de novembro de 2019 promovendo investimentos da Huawei no Brasil e exagerando o montante. Um estudo acadêmico detalhado sobre "Mundo China" publicado em janeiro de 2023 constatou que 81% das histórias do programa mostravam a China de maneira positiva, enquanto apenas 3% eram negativas e 15% eram consideradas neutras. Ainda não está claro quão receptivos os telespectadores brasileiros são ao conteúdo de "Mundo China", mas o referido estudo analisou a cobertura da BandNews TV além do programa e encontrou uma mudança estatisticamente significativa na forma como a China era apresentada em programas de notícias (excluindo "Mundo China"), antes e depois do acordo, passando de uma apresentação mais negativa ou neutra para uma mais positiva. Quando a cobertura da China em "Mundo China" foi incluída, a proporção de histórias positivas na BandNews TV sobre a China superou as negativas em 42 pontos percentuais, após a assinatura do acordo (em comparação com uma diferença de 6 pontos percentuais em favor de mais histórias negativas antes de sua implementação). Essas descobertas apontam para o impacto mais amplo que tais acordos de compartilhamento de conteúdo podem ter na cobertura da China.

Tais intercâmbios também têm aparecido no setor de entretenimento. Em 2021, o Grupo Box Brazil, o maior provedor independente de TV por assinatura do Brasil, atingindo uma média de 16 milhões de lares, fechou um acordo de compartilhamento de conteúdo com o China Media Group para programas de entretenimento, incluindo dramas, documentários e filmes de longa-metragem. De acordo com o acordo, a Box lançaria uma série especial de filmes chineses, documentários e outros programas até fevereiro de 2022, enquanto programas brasileiros seriam exibidos na China. Em um exemplo anterior, durante a visita do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro a Pequim em outubro de 2019, Osmar Terra, então ministro da cidadania do Brasil, propôs lançar um serviço de streaming para produtos multimídia do BRICS. A plataforma, apelidada de "Netflix do BRICS" pela imprensa brasileira, seria financiada pelos cinco membros do bloco, cada um contribuindo com 20% do orçamento. No entanto, o surto da pandemia de COVID-19 pouco depois colocou a proposta em espera indefinida.

Parcerias com publicações impressas e jornais locais: Existem várias publicações impressas distribuídas no Brasil que são produzidas por meio da colaboração entre uma entidade afiliada ao Estado chinês e um parceiro local. Um exemplo é a Revista Confúcio, publicada desde 2014 pelo Hanban, que administra a rede global do Instituto Confúcio do Ministério da Educação da China, e a Universidade Estadual de São Paulo, lar do maior Instituto Confúcio da América do Sul. Outra publicação é a revista e o site de notícias China Hoje, publicados em português por meio de uma colaboração entre os editores locais Segmento e Go East Brasil e o China International Publishing Group (CIPG), de propriedade do Partido Comunista Chinês. Seu conteúdo abrange uma variedade de tópicos sobre política, economia e cultura e apresenta artigos de opinião de comentaristas chineses e brasileiros. Até agosto de 2023, foram publicadas 44 edições da China Hoje. O alcance, o impacto e a circulação da China Hoje não estão claros, embora suas contas no Twitter e YouTube tenham seguidores relativamente pequenos, com 1.069 e 411 inscritos, respectivamente.

Essa aparentemente limitada abrangência por meio dessas publicações coproduzidas contrasta com o público potencial alcançado por meio de outras parcerias, incluindo inserções pagas, estabelecidas entre grandes veículos de mídia estatais chineses e veículos de comunicação locais no Brasil. Registros do China Daily nos Estados Unidos, relativos a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros, indicaram que o veículo chinês estatal fez pagamentos publicitários ao grupo de mídia brasileiro Empresa Folha de Manhã. A empresa brasileira, que publica o diário Folha de São Paulo, recebeu US$ 61.640 de novembro de 2020 a abril de 2021 para veicular anúncios do China Daily, segundo esses registros. A Folha de São Paulo também firmou uma parceria com o veículo chinês Caixin em julho de 2020. No contexto midiático chinês, a Caixin é conhecida como uma agência de notícias financeiras mais autônoma em relação a veículos estatais como o China Daily ou a China Radio International, embora esteja sujeita ocasionalmente a multas ou censura. No entanto, a independência da Caixin ainda é limitada pelas restrições e censura do governo chinês. Nos primeiros cinco meses do acordo, a Folha de São Paulo publicou 18 matérias da Caixin sobre tópicos como estudantes chineses nos Estados Unidos, desenvolvimentos políticos em Hong Kong e redes 5G na província de Guangdong.

Meios de comunicação brasileiros menores também firmaram parcerias com a mídia estatal chinesa. Em 2019, o portal de notícias de esquerda Vermelho assinou um acordo de parceria com a Xinhua para promover "troca livre de informações e notícias entre ambas as redações". Nenhuma informação foi divulgada sobre a duração da parceria ou pagamentos.

  • Viagens subsidiadas de jornalistas à China: Um pequeno número de viagens subsidiadas pelo governo chinês para jornalistas brasileiros foi registrado nos últimos anos. O CIPG convidou um grupo de jornalistas e pesquisadores latino-americanos de vários veículos de notícias, incluindo os brasileiros Folha de São Paulo e Jornal do Comércio, bem como China Hoje e Sputnik Brasil, o veículo local da agência estatal russa de notícias Sputnik, para visitar o país em 2018. Eles publicaram artigos em suas respectivas plataformas com base em suas experiências na China.

Como escreveu um dos jornalistas em uma matéria em primeira pessoa publicada durante a participação no programa:

"Fazer do jornalismo uma ferramenta de diplomacia foi uma estratégia anunciada pelo presidente chinês em 2016, durante a Cúpula de Mídia China e América Latina. Na reunião, ele revelou que, ao longo dos próximos cinco anos, investiria em um programa para transformar cerca de 500 profissionais de comunicação em especialistas na China. E aqui estou eu, agora morando em Pequim, participando do programa anunciado dois anos atrás, no Chile."

Vários jornalistas lusófonos também foram convidados para participar de uma conferência patrocinada pelo governo chinês em Pequim, em 23 de agosto de 2019, como parte de uma tentativa de promover contatos culturais, comerciais e econômicos, além de promover nos participantes uma compreensão abrangente da China e de seu modelo de crescimento econômico, história, cultura e projetos sustentáveis. O Brasil foi representado por dois jornalistas, um do Jornal Brasília in Foco e outro do Correio Braziliense. Alguns dos jornalistas convidados para essa turnê de imprensa foram entrevistados por Pablo Morales, professor da London School of Economics. Em um artigo acadêmico, Morales descreve como os jornalistas que participam de seminários de treinamento são rotineiramente entrevistados pela mídia chinesa sobre suas experiências na China. Vários jornalistas mencionaram como foram orientados a criar histórias de acordo com a ideia de jornalismo construtivo da China; ser construtivo, neste caso, significava retratar o povo chinês como "disciplinado, harmonioso e otimista."

Outras iniciativas chinesas voltadas para a construção de laços internacionais incluem convidar cineastas e estudantes para participar de programas de intercâmbio na China, como o Belt and Road Initiative Documentary Consortium (BriDoc), o Looking China Youth Film Project ou o BRICS Media Forum. Alguns desses programas são oficialmente administrados por entidades comerciais; no entanto, eles têm o apoio do partido (caso contrário, não poderiam funcionar) porque servem ao objetivo final de "contar a narrativa da China com precisão". Em um exemplo, em setembro de 2019, o programa mais popular de domingo na TV brasileira, o "Fantástico", exibiu uma série de quatro partes sobre os avanços tecnológicos da China em áreas como trens de alta velocidade, carros elétricos e cidades inteligentes, que teria sido assistida por pelo menos 50 milhões de pessoas e ajudou a fortalecer a imagem da China no Brasil. Visto como uma oportunidade de melhorar a imagem da China, a série recebeu apoio de visto e logística da Embaixada chinesa no Brasil e financiamento da Huawei. O diretor reconheceu que fez uma escolha deliberada de não incluir críticas ao governo chinês, inclusive ao discutir questões controversas como vigilância.

  • Viagens subsidiadas e esforços de influência direcionados a políticos brasileiros: Funcionários estatais chineses estabeleceram efetivamente contato com um espectro diversificado de intelectuais e comentaristas políticos que podem fornecer perspectivas influentes e influenciar as relações sino-brasileiras. Um exemplo é o lobby para a implementação da tecnologia 5G no Brasil.

Em janeiro de 2019, 13 membros do Partido Social Liberal (PSL)—ao qual o então presidente Bolsonaro pertencia na época—viajaram para a China para aprender sobre a tecnologia de reconhecimento facial do país. A viagem foi organizada pelo governo chinês durante um período de reconciliação entre o Brasil e os Estados Unidos, e ocorreu um mês após uma campanha presidencial brasileira marcada por forte sentimento anti-China. Legisladores brasileiros buscavam apoio para uma medida que estavam promovendo no Congresso, que definiria a adoção da tecnologia de reconhecimento facial em áreas públicas para auxiliar no cumprimento da lei e na segurança pública. O projeto de lei foi apresentado no Congresso em agosto de 2019, mas, até a publicação deste relatório, ainda não havia sido votado. Em setembro do mesmo ano, outro grupo de cinco senadores de partidos de todo o espectro político brasileiro visitou a China para aprender sobre o país, sobre a Huawei e sua tecnologia 5G, com o objetivo de possivelmente replicar modelos regulatórios chineses e serviços de transmissão no Brasil. Durante o período analisado por este relatório, pelo menos 29 deputados federais e dois senadores visitaram a China, incluindo visitas a instalações da Huawei. As agências brasileiras relacionadas às telecomunicações também realizaram um total de 12 visitas à China em 2019.

Em alguns casos, ao retornar ao Brasil, os legisladores fizeram discursos ou outros comentários reportados pela mídia local elogiando o governo chinês e a Huawei. Em outubro de 2019, por exemplo, o senador Chico Rodrigues, que havia se juntado à delegação mencionada acima no mês anterior, disse no plenário do Senado brasileiro que "o que mais nos impressionou durante nossas visitas foi a distância que separa nosso crescimento econômico do desenvolvimento econômico chinês" e enfatizou que a Huawei poderia "impulsionar a revolução" que o Brasil precisa em telecomunicações, incluindo a introdução do 5G.

Em outro exemplo de autoridades brasileiras ecoando pontos de discussão favoráveis a Pequim, em setembro de 2019, o maior jornal financeiro do Brasil, o Valor Econômico, parte do Grupo Globo, publicou uma edição especial com entrevistas aprofundadas com vários funcionários do governo brasileiro e especialistas que destacavam a economia da China e seus investimentos no Brasil, enfatizando o impressionante desempenho econômico da China. Esses artigos ressaltaram que o fortalecimento da cooperação entre os dois países traria mais benefícios a ambas as nações.

Campanhas de desinformação

Para os fins deste relatório, desinformação é definida como a disseminação intencional de conteúdo falso ou enganoso, especialmente por meio de atividades inautênticas, como o uso de contas falsas, em plataformas globais de redes sociais. Não foram encontradas evidências de campanhas de desinformação que usassem contas falsas direcionadas ao Brasil, nem de conteúdo de campanhas globais vinculadas à China em plataformas de redes sociais, como Twitter e Facebook, atingindo o público local. Dito isso, em entrevistas à imprensa local, diplomatas chineses, como o Embaixador Yang, frequentemente transmitiam pontos que distorciam a realidade ou espalhavam falsidades, como afirmar, em resposta à Cúpula pela Democracia organizada pelos EUA no final de 2021, que o sistema da China é, na verdade, uma democracia de vários partidos.

Censura e Intimidação

Embora não tenha havido relatos de incidentes de intimidação física ou técnica de atores ligados à China contra jornalistas brasileiros durante o período abordado, houve várias indicações de que a Embaixada chinesa monitorou de perto os comentários da mídia brasileira sobre a China e respondeu para expressar seu desacordo. No setor cultural, em março de 2019, a Associação Falun Dafa do Brasil, filial local de um movimento espiritual perseguido pelo Partido Comunista Chinês e proibido na China, relatou que uma exposição do Falun Gong em Brasília foi fechada antecipadamente, após pressão da Embaixada chinesa. A mesma exposição havia sido exibida anteriormente na Universidade de Brasília em outubro de 2018 sem incidentes.

Controle sobre a infraestrutura de distribuição de conteúdo

Empresas com sede na China não desempenham um papel substancial na infraestrutura de televisão digital do Brasil. No entanto, certas empresas com conexões com o Partido Comunista Chinês têm avançado nas indústrias de tecnologia da informação e redes sociais, o que poderia criar potencialmente vulnerabilidades para manipulações futuras.

A Huawei tem sido uma fornecedora proeminente de tecnologia no Brasil por mais de duas décadas, com sua cobertura alcançando 95% da população. Em dezembro de 2021, a operadora brasileira de telecomunicações TIM Brasil confirmou que a empresa usaria equipamentos da Huawei para o lançamento de sua rede 5G, antes do prazo estabelecido pelo governo em julho de 2022. Um número significativo de empresas de telecomunicações no Brasil já depende de equipamentos da Huawei para suas redes 3G e 4G. Por exemplo, a maior operadora móvel do Brasil, Vivo (uma subsidiária da Telefônica da Espanha), depende da tecnologia 3G e 4G da Huawei para 65% de suas redes, enquanto a Claro Brasil, a Oi e a TIM obtêm 55%, 60% e 45% de seus equipamentos da Huawei, respectivamente.

Na esfera das redes sociais, vários aplicativos de propriedade de empresas sediadas na China ganharam grande popularidade no Brasil. O TikTok, subsidiária global da ByteDance, empresa de redes sociais baseada na China, foi o aplicativo mais baixado no Brasil até dezembro de 2022, com 175 milhões de downloads em 2022. Muitos veículos de notícias, incluindo Folha de São Paulo, O Globo e Correio Braziliense, têm contas no aplicativo. Ele também é utilizado por representantes do governo para se comunicarem com cidadãos. O Senado brasileiro, por exemplo, possui uma conta popular no TikTok. Houve alguns casos documentados ao redor do mundo nos últimos anos de remoção ou minimização de conteúdo politicamente sensível pelo TikTok, incluindo conteúdo que viola diretrizes de censura doméstica chinesa. A empresa posteriormente informou que corrigiu erros de moderação. Uma matéria de junho de 2022, com base em reuniões vazadas do TikTok, também levantou a preocupação de que a ByteDance tivesse feito declarações falsas sobre a privacidade de dados dos usuários dos EUA e, de maneira mais ampla, questionou outras declarações feitas pela empresa sobre suas políticas.

O Kwai, outro aplicativo de vídeos curtos de propriedade da empresa chinesa Kuaishou, e um dos principais concorrentes do TikTok, ganhou notável popularidade no Brasil. Até 2021, era o terceiro aplicativo mais baixado no país, com mais de 45 milhões de usuários ativos mensais e um número crescente de criadores de conteúdo migrando do TikTok. Em 2019, a Kuaishou abriu escritórios em São Paulo, sua primeira filial na América Latina, e em 2021 tornou-se patrocinadora oficial da seleção nacional de futebol do Brasil. O aplicativo é especialmente popular entre trabalhadores de baixa renda e operários.

A plataforma de redes sociais WeChat é de propriedade da Tencent, empresa de tecnologia com sede na China que tem fortes laços com o Partido Comunista Chinês. No Brasil, é usada predominantemente por falantes de mandarim, integrando-os assim ao ambiente de informação fortemente monitorado e censurado da China (veja Mídia da diáspora chinesa). Dada suas características de comércio eletrônico, importantes players econômicos no Brasil também começaram a usar o WeChat em alguns casos. Em novembro de 2020, por exemplo, a empresa brasileira de mineração Vale anunciou planos de lançar uma plataforma de negociação de minério de ferro no WeChat, para facilitar transações em renminbi (yuan) com empresas chinesas.

A Xiaomi, outra empresa com sede na China cujos dispositivos de telefone celular são vendidos globalmente, viu sua participação de mercado no Brasil crescer consideravelmente durante o período abordado. A parcela de mercado da empresa foi de quase zero no início de 2019 para mais de 10% no final de 2021, embora sua popularidade ainda tenha ficado muito atrás de concorrentes como Samsung, Motorola e Apple. Em 2021, uma auditoria de segurança nos dispositivos da Xiaomi realizada pelo governo da Lituânia encontrou listas paralelas de censura latente em chinês e inglês contendo termos que poderiam ser sensíveis ao Partido Comunista Chinês, assim como termos mais amplos relacionados a direitos humanos, religião e democracia; as listas eram periodicamente atualizadas, mas não estavam ativas no momento da investigação.

Não houve evidências no Brasil durante o período abordado de controle sobre a infraestrutura de distribuição de conteúdo sendo usada para marginalizar conteúdo crítico ou amplificar artificialmente conteúdo pró-Pequim. No entanto, permanece a possibilidade de ativação desse controle para manipulações futuras, especialmente durante um momento percebido como de crise para Pequim.

Disseminação de normas da mídia, táticas ou modelos de governança do PCC

Em entrevistas, profissionais de mídia do Brasil que viajaram para a China relataram ter recebido algum treinamento com o objetivo de disseminar normas marxistas chinesas de jornalismo, embora isso não tenha parecido afetar suas próprias práticas jornalísticas a longo prazo. Além disso, como observado anteriormente, alguns funcionários brasileiros viajaram para a China com o desejo de entender melhor o uso de tecnologias de reconhecimento facial e outras tecnologias de vigilância, e pelo menos um projeto-piloto de "cidade segura" da Huawei foi lançado em Campinas em 2018, mas não houve relatos de tentativas subsequentes de adotar táticas de manipulação de informações.

Mídia da diáspora chinesa

Como em muitos outros países, veículos de mídia com laços estreitos com Pequim têm uma presença forte e crescente no Brasil, em comparação com outras fontes de notícias que atendem à diáspora chinesa no país. O Brasil serve como um centro para a mídia em língua chinesa na América Latina como um todo, como o Nanmei Qiaobao (南美侨报), sediado em São Paulo, que publica um jornal diário e distribui sua edição impressa (incluindo várias edições de fim de semana) nacionalmente. Nanmei Qiaobao tem, segundo relatos, uma das maiores circulações de qualquer veículo de mídia em língua chinesa na América Central e do Sul, distribuindo seu conteúdo no Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile e Bolívia. Além de suas várias edições impressas, o jornal mantém um site, contas no WeChat e na plataforma de micro blog Weibo, e uma conta em português no Twitter. Em 2019, a publicação lançou um aplicativo móvel, o Latin America Today (今日拉美).

Nanmei Qiaobao, juntamente com o jornal quinzenal Meizhou Shibao (美洲时报), o jornal diário Meizhou Huabao (美洲华报) e os sites Baxi Qiaowang (巴西侨网) e Baxi Huarenwang (巴西华人网), são membros da União de Cooperação Global de Mídia Chinesa (GCMCU), uma associação de mídia voltada para notícias em língua chinesa que é supervisionada pela estatal China News Service. Esses veículos republicam materiais de veículos da mídia estatal chinesa ou da Embaixada chinesa, e sua linha editorial parece estar em conformidade com as narrativas preferidas por Pequim. Nanmei Qiaobao também já publicou artigos escritos por diplomatas chineses.

Existem também alguns veículos de notícias que parecem estar voltados para a comunidade taiwanesa no exterior. A publicação diária Chinês América Times (美洲時報), em chinês tradicional, ocasionalmente compartilha conteúdo da Agência Central de Notícias (CNA) de Taiwan - financiada pelo governo, porém editorialmente independente - e coopera com o OCAC de Taiwan no Brasil. Um veículo digital taiwanês, Baxi Huaren Tenxunwang (巴西華人資訊網), está disponível em chinês tradicional, chinês simplificado, português e espanhol. A publicação às vezes compartilha conteúdo do China Times, um veículo de mídia taiwanês de propriedade do grupo de mídia Want Want, conhecido por sua inclinação pró-unificação Pan-Azul.

O pesquisador Josh Stenberg constatou que ao longo do tempo no ecossistema midiático do Brasil, a presença de mídia de propriedade taiwanesa diminuiu e a mídia em língua chinesa se tornou menos pluralizada, com muitos veículos adotando uma linha editorial mais pró-Pequim. A ampla adoção do WeChat, aplicativo chinês, como uma forma popular de comunicação dentro das comunidades da diáspora chinesa, continuou a integrar a mídia em língua chinesa no Brasil ao ambiente de informação da China. No entanto, alguns veículos taiwaneses e religiosos permanecem, proporcionando um grau de diversidade de notícias.

Resiliência + Resposta Local

Resiliência subjacente da mídia

  • Proteções constitucionais e um judiciário independente: A Constituição brasileira de 1988 protege a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão. O inovador Marco Civil, um marco para os direitos dos usuários da internet, foi promulgado em 2014, protegendo a liberdade de expressão online, embora outras leis ou iniciativas legislativas tenham buscado enfraquecer essas garantias nos últimos anos. O judiciário, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), é em grande parte independente e tem o poder de julgar casos relacionados a violações de direitos. Em um exemplo, o STF defendeu a liberdade de expressão em 2021 ao anular uma proibição das redes sociais de removerem postagens contendo desinformação emitida pelo ex-presidente Bolsonaro.
  • Mecanismos de transparência e concorrência em licitações para investimentos estrangeiros, telecomunicações: O Brasil possui estruturas legislativas e regulatórias que apoiam o jornalismo investigativo e aumentam a transparência, incluindo regulamentações sobre investimento estrangeiro. A legislação de acesso à informação existe e dá ao público acesso a informações sobre propriedade de mídia e gastos com publicidade. A Lei 5250, a lei sobre liberdade de expressão, pensamento e informação, impõe limitações ao investimento estrangeiro em setores críticos, incluindo telecomunicações. O terceiro artigo afirma que "a responsabilidade e orientação intelectual e administrativa das empresas jornalísticas serão exclusivamente dos brasileiros nativos, sendo estritamente proibido qualquer tipo de contrato de assistência técnica com empresas ou organizações estrangeiras, que lhes permita, sob qualquer pretexto ou maneira, ter participação direta, indireta ou clandestina, ou de forma encoberta, por meio de agentes ou empregados, na administração e orientação da empresa jornalística." Investimentos estrangeiros diretos devem ser registrados no Banco Central do Brasil (BCB) dentro de 30 dias. A Agência Nacional do Cinema (ANCINE) regula o conteúdo audiovisual. A Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) é responsável por regular as telecomunicações. É percebida pela sociedade civil como independente, e leilões, como para a tecnologia 5G, foram públicos e competitivos.
  • Aumento da verificação de fatos e investimentos em educação midiática: Diante do aumento do uso de redes sociais e da crescente conscientização sobre problemas como a desinformação, a alfabetização midiática foi incorporada ao currículo educacional do Brasil. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que delineia padrões-chave de aprendizado para alunos nas escolas brasileiras, inclui atualmente educação midiática, cultura digital e a esfera jornalística-midiática. Na última década, houve também um aumento de organizações especializadas em verificação de fatos, como a Agência Lupa e o Estadão Verifica, cujo trabalho inclui avaliar a veracidade das declarações de políticos, refutar boatos online falsos e se preparar para lidar com desinformação antes de eleições.
  • Ecossistema de mídia vibrante e sociedade civil: Apesar da alta concentração de propriedade, desafios econômicos e crescentes ataques à imprensa (ver abaixo), o Brasil abriga um cenário de mídia vibrante e uma forte tradição de jornalismo investigativo. O país também é lar de uma variedade de sindicatos e associações de jornalistas, muitos operando em diferentes estados sob a égide da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), que representa jornalistas brasileiros desde 1946. A FENAJ e outros grupos semelhantes documentam e condenam ataques a jornalistas, advogam por legislação que proteja a liberdade de expressão e publicam um código de ética para jornalistas brasileiros, entre outros recursos.

Resiliência específica em relação à China

  • Reportagens críticas sobre violações de direitos humanos na China e novas iniciativas jornalísticas para preencher lacunas: Em comparação com outros países da região e outras partes do Sul Global, o Brasil é um dos poucos países com um correspondente baseado na China e repórteres focados na China em outros veículos. Entrevistas com jornalistas indicam abertura e até mesmo incentivo de editores para publicar histórias críticas ao governo chinês, enquanto muitos veículos também veiculam histórias de agências internacionais de notícias que estão em desacordo com as narrativas pró-China. Muitos meios de comunicação convencionais, incluindo empresas de mídia que também têm acordos de compartilhamento de conteúdo ou coprodução com veículos estatais chineses, publicaram reportagens sobre violações de direitos humanos na China ou protestos antigovernamentais em Hong Kong, durante o período analisado. Apesar de tal cobertura, jornalistas familiarizados com a China expressaram preocupações com lacunas na reportagem, falta de nuances e dificuldades em fazer com que os consumidores de notícias brasileiros se engajem com histórias relacionadas à China. Várias novas iniciativas surgiram nos últimos anos para preencher essas lacunas, incluindo a organização não-governamental Diálogo Chino e o Shūmiàn, uma plataforma coordenada por voluntários com um site, um boletim informativo e um podcast em português, que busca estabelecer pontes de entendimento entre a China e a América Latina.
  • Criação de conhecimento acadêmico e de think tanks sobre a China e os laços bilaterais são relativamente altos: O trabalho de Luiza Duarte, Igor Patrick, Tatiana Prazeres, Evandro Menezes de Carvalho e muitos outros contribui para a pesquisa e análise das relações entre Brasil e China, além do aspecto econômico. Acadêmicos no Brasil parecem interessados em comparar as dimensões do relacionamento dos dois países em um nível societal. O Brasil também possui um ecossistema saudável de institutos e grupos de pesquisa focados na disseminação do conhecimento para a sociedade civil em geral - durante a pandemia, atuaram por meio de fóruns online e painéis. Entre eles estão institutos independentes, como o Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), Observa China e o programa Núcleo Ásia do think tank Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), e centros de pesquisa universitários como o Centro de Estudos Asiáticos na Universidade Federal Fluminense (CEA-UFF), o Centro de Estudos da Ásia Oriental na Universidade Federal de Minas Gerais (CEAO-UFMG) e o Centro de Estudos Sobre a China na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para citar alguns.

Vulnerabilidades

  • Lacunas na cobertura midiática e análise sobre a China: Apesar das forças mencionadas e das iniciativas jornalísticas emergentes, o Brasil tem atualmente apenas um correspondente credenciado escrevendo da China. Os veículos locais dependem fortemente de agências internacionais de notícias, e a cobertura sobre a China pode carecer de nuances e contexto cultural. Como descrito em fevereiro de 2021 pela colunista da Folha de São Paulo, Tatiana Prazeres, que na época era pesquisadora sênior na Beijing’s University of International Business (Universidade de Negócios Internacionais de Pequim), "existem opiniões apaixonadas, posições categóricas e visões definitivas sobre a China no Brasil, mas há falta de informação e análise”. Segundo Prazeres, as "análises brasileiras carecem de sobriedade. Desde o início, muitas tropeçam no risco básico — o de romantizar ou demonizar a China. Começando por um ou outro, nada útil é produzido. As opiniões se tornaram ainda mais apaixonadas após a pandemia." Um contraste importante com a cobertura da mídia convencional é o extenso e importante jornalismo do Diálogo Chino sobre investimentos chineses e seus impactos no Brasil, especialmente com foco ambiental; a cobertura da crescente presença chinesa na Amazônia e a expansão das plantações de soja para abastecer o mercado chinês são dois exemplos notáveis.
  • Propriedade concentrada na mídia, fraco arcabouço regulatório: De acordo com o Media Ownership Monitor, o cenário midiático do país apresenta uma significativa concentração de público e de propriedade, além da falta de transparência e da influência significativa de interesses religiosos, políticos e econômicos sobre a mídia. O MOM-Brasil analisou 50 veículos de comunicação em quatro categorias — TV, rádio, mídia impressa e web. Eles são controlados por 26 grupos de comunicação, embora quatro em particular controlem mais de 70 por cento do mercado de televisão. Grandes conglomerados de notícias, como o Grupo Globo e o Grupo Record, possuem jornais, portais online e estações de rádio. O arcabouço regulatório do país parece contribuir para essa dinâmica, com salvaguardas limitadas que podem impedir a concentração de propriedade, a propriedade cruzada ou o controle político sobre a mídia, enquanto regras que regem a transparência da propriedade não são obrigatórias. Em um mercado com um público altamente concentrado como o do Brasil, o impacto do envolvimento de atores chineses vinculados ao Estado e ao partido no poder com proprietários de mídia e as trocas de conteúdo com grandes conglomerados de notícias - bem como quaisquer aquisição de mídia - podem ter um impacto desproporcional e alcance de público.
  • Aumento dos ataques à mídia e aos jornalistas: A violência contra jornalistas aumentou na última década, e a hostilidade do governo em relação à imprensa sob o governo do ex-presidente Bolsonaro prejudicou a confiança pública no jornalismo e contribuiu para a disseminação de desinformação. Dada a importância do jornalismo investigativo em expor influências problemáticas do Partido Comunista Chinês e a crescente experimentação de Pequim com campanhas de desinformação voltadas para o exterior, uma profissão jornalística ameaçada e descreditada geralmente tem menos capacidade de expor e reagir eficazmente contra essas táticas de Pequim quando elas surgem.
  • Xenofobia e desinformação, especialmente em torno da pandemia de COVID-19: Com o início da pandemia de COVID-19, a retórica e o comportamento racistas em relação aos asiáticos e às pessoas de ascendência chinesa no Brasil se intensificaram. Entrevistados compartilharam anedotas de xingamentos, insultos ou perda de negócios ao usar seus nomes chineses, em vez de nomes em português. Inicialmente, o governo Bolsonaro rejeitou a vacina Coronavac desenvolvida na China. Bolsonaro colocou em dúvida a segurança da vacina, embora a administração tenha revertido sua decisão em janeiro de 2021 e adquirindo 100 milhões de doses, à medida que as mortes pelo vírus aumentavam. Alguns colunistas pró-Bolsonaro promulgaram teorias conspiratórias envolvendo a China, algumas das quais circularam em fóruns do QAnon em inglês, antes de serem traduzidas para o português. O escritor conservador Rodrigo Constantino argumentou em um artigo de opinião que a CoronaVac era perigosa e chamou as pessoas que a apoiavam de "gado chinês", que lucrava com o medo do público em relação à epidemia. Essa história alimentou a hostilidade diplomática entre os dois países. Atacar a China era visto nos círculos de Bolsonaro como uma prova de compromisso com o governo, contribuindo para assédio e hostilidade contra as comunidades chinesas no Brasil.

A prevalência do discurso sinófono também foi evidente nas redes sociais. Um estudo de 2021 sobre o discurso brasileiro no Twitter nos primeiros meses da pandemia de coronavírus examinou temas em reação à recente catástrofe de saúde pública causada pelo coronavírus no Brasil. Os resultados revelam que os tweets foram usados para disseminar estigma, racismo e emoções desfavoráveis em relação à China. A análise de sentimento dos 50 tweets com mais retweets de usuários em língua portuguesa encontrou que as frases estigmatizantes "vírus chinês" ou "vírus da China" representaram as perspectivas políticas mais proeminentes dos usuários do Twitter estudados, após o surto de coronavírus. Além dessas frases, os tópicos mais comuns dos tweets foram o uso de cloroquina (um medicamento amplamente divulgado nas redes sociais, sem evidências de eficácia contra a COVID-19), curas para o coronavírus, a imprensa e a qualidade da informação, ditadura, China, Bolsonaro e comunismo.

Impacto e Opinião Pública

As pesquisas de opinião pública disponíveis indicam que as percepções da China no Brasil tornaram-se menos favoráveis ​​ao governo chinês ao longo da última década, apontando para o impacto limitado dos esforços de influência midiática de Pequim. Os dados da AmericasBarometer, um projeto do laboratório de pesquisa LAPOP da Universidade de Vanderbilt, incluem uma pergunta sobre a confiabilidade do governo chinês. Em 2016, essa confiança atingiu o pico de 53,7%, mas caiu significativamente desde então, chegando a 46% em 2018 e atingindo o mínimo de 36,5% em 2021, o ano mais recente para o qual há dados disponíveis. De maneira notável, as percepções de confiança nos Estados Unidos seguiram uma direção oposta durante o mesmo período, subindo de 42% em 2016 para 61% em 2021. Dados relativos ao Brasil do Pew Research Center são menos recentes, mas mostram uma queda semelhante no sentimento favorável em relação à China de 2013 a 2019 (de 65% para 51%).

Em sua tese de mestrado, Igor Patrick, jornalista brasileiro especializado em China, analisou o impacto dos meios de comunicação estatais chineses entre os brasileiros. Ele conduziu uma pesquisa para avaliar como as pessoas no Brasil consumiam e entendiam o conteúdo de três segmentos de notícias de TV de exemplo: duas reportagens do "Mundo China" na BandNews TV e um trecho do documentário "24 Horas em Wuhan", que, como mencionado, foi produzido pela CGTN e inicialmente distribuído no Brasil pela GloboNews. O estudo constatou que o público brasileiro geralmente não demonstrou interesse significativo nesses esforços. No entanto, o conteúdo chinês associado a marcas de mídia brasileiras bem conhecidas recebeu uma recepção geralmente favorável, sugerindo um caminho potencial para a estratégia de longo prazo da China na região. Em uma entrevista, Patrick enfatizou como as diferenças culturais e geográficas fazem os brasileiros evitem conteúdo proveniente da China, em contraste com a reação aos produtos culturais ocidentais. A maioria dos brasileiros não tem emoções desfavoráveis ​​ou favoráveis ​​em relação à China, embora haja uma falta significativa de compreensão sobre a cultura e a história do país asiático. Essa falta de informação é prevalente em todas as faixas etárias e estratos socioeconômicos, representando um mercado potencial significativo para os meios de comunicação estatais chineses.

As descobertas acima indicam que os esforços dos meios de comunicação estatais chineses para influenciar as visões da população brasileira e criar uma imagem positiva da China no exterior tiveram influência mínima no Brasil. A maioria dos brasileiros não se sente atraída por conteúdos sobre a China e não interage com esses conteúdos quando expostos a eles. A falta de consciência cultural dos meios de comunicação estatais chineses em relação aos latino-americanos não-hispânicos contribui para seus resultados pouco expressivos.

Trajetória Futura

Os pontos-chaves a seguir são as principais áreas relacionadas à influência da mídia de Pequim no Brasil que pesquisadores, especialistas em mídia, autoridades e jornalistas devem observar nos próximos anos.

  • Melhoria nos laços bilaterais, influência mais efetiva na era pós-Bolsonaro: Como em outros países com governos que não são imediatamente receptivos ao envolvimento com o governo chinês, as autoridades chinesas continuaram investindo e fortalecendo os laços com o setor privado do Brasil e com políticos de todo o espectro político nos últimos anos para garantir relacionamentos contínuos após uma transferência democrática de poder. De fato, no final de 2022, Bolsonaro, geralmente cético em relação à China, foi derrotado nas eleições presidenciais por Lula, que no início do seu novo mandato visitou a China com mais de duzentos líderes empresariais para discutir a melhoria dos laços comerciais e económicos entre os dois países. O resultado da visita incluiu quinze acordos bilaterais em vários setores, incluindo agricultura, tecnologia, telemedicina e educação. Lula também visitou um centro de desenvolvimento de tecnologia da Huawei e assistiu a uma apresentação sobre como o 5G pode revolucionar a telemedicina e a educação. Lula e o presidente chinês Xi Jinping, se apresentaram como defensores do Sul Global, professando o desejo de "equilibrar a geopolítica mundial", defendendo os seus países como mediadores na Ucrânia e defendendo o mecanismo do BRICS como um contrapeso ao sistema internacional dominado pelos EUA. Com laços mais estreitos entre a elite política brasileira e oficiais chineses, observe avanços obtidos por meios de comunicação e empresas estatais chinesas no espaço de informação e tecnologia, ou autoridades brasileiras ecoando narrativas preferidas pelo PCC.
  • Colaboração contínua e aumentada com grandes conglomerados de mídia: Dada a crescente quantidade de parcerias de coprodução e conteúdo entre meios de comunicação estatais chinesas e grandes empresas de mídia do Brasil, incluindo em horários nobres de televisão, observe mais exemplos de conteúdo produzido pelo estado chinês alcançando o público local. Observe também a adaptação de veículos chineses em estilo, formato ou conteúdo para criar programas mais convincentes e atrativos para os brasileiros.
  • Aumento da especialização e compreensão da China: À medida que a importância política e econômica da China para o Brasil continua a crescer, observe investimentos adicionais na construção de conhecimento local brasileiro sobre a China e as relações bilaterais, e o papel que iniciativas jornalísticas e acadêmicas emergentes desempenham em fornecer contexto relevante, conduzir pesquisas originais e transmitir análises plurais de eventos na China e no Brasil. No entanto, observe também novas abordagens de entidades vinculadas ao Estado chinês em relação a acadêmicos e think tanks brasileiras, incluindo viagens subsidiadas à China ou outras ofertas de financiamento, com o objetivo de influenciar suas produções escritas.

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